segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Newsted - Heavy Metal Music

Nada de novo, mas tá valendo!

Heavy Metal Music - Álbum de estreia do Newsted

Observando o título do álbum, é muito massa ver Jason Newsted finalmente tendo seu próprio espaço. Depois de anos vivendo com o rótulo de "ex-Metallica" [e mostrando uma presença de palco mais carismática e mais agressiva que a do próprio James Hetfield], perder tempo com Ozzy e trabalhar pesado com o Voivod, ele finalmente está seguindo seu caminho. A proposta de seu grupo, "Newsted", não é tão original, mas é aquela coisa de Heavy Metal tradicional direto, sem firulas, nem frescuras. Claramente, percebemos influências de AC/DC, Black Sabbath e Motorhead, junto a influências mais modernas em seu som.

O próprio Newsted é a estrela do show. Ele, além do frontman, também faz a função de baixista. O baixo dele - que muitas vezes no passado, não tinha o devido destaque - é muito bem destacado e algo bem pessoal, fornece o peso certo para as músicas, com um som bem preenchido e definido. A voz dele [que é praticamente um mix de Chuck Billy e Lemmy], embora não seja muito versátil, é uma prova para o mundo do Metal e também uma amostra de seu entusiasmo e amor pelo gênero. Todos os outros integrantes ali estão só "dançando conforme a música". Mike Mushok [guitarrista, que também toca na banda de Post-Grunge Staind] faz bem seu trabalho nos solos, mesmo que não faça muito pra querer aparecer. As bases de Jessie Farnsworth [guitarrista] também marcam presença de forma moderada, frequentemente dominadas pelos solos e pelo baixo. Jesus Mendez Jr. é o responsável pela bateria. Ele também faz só o designado pra ele, mas é o que mostra mais energia e entusiasmo.


Ouça o disco aqui.


terça-feira, 22 de julho de 2014

O Estudo do Erro

Este texto foi tirado de uma coluna de um site especializado em bateria, mas o conceito é válido também para quem estuda e toca outros instrumentos.

Por Adalberto Brajatschek:

Todos conhecem muito bem a frase: “errar é humano”. Mas como seres humanos, estamos numa busca do entendimento e aperfeiçoamento de nossas faculdades e habilidades. Errar é preciso, mas também é preciso examinar os erros e aprender com eles.

Vamos dizer que o erro deriva de três pontos fundamentais:
• A falta de conhecimento da informação correta;
• A falta de preparo do corpo para executar a informação;
• A falta de concentração.

A falta de conhecimento da informação correta pode causar o erro, uma vez que os membros estarão recebendo uma informação imprecisa ou equivocada. Precisamos lembrar que tudo o que existe se inicia no cérebro em forma de ideia. Esta ideia deve ser a mais clara possível para que possa ser transmitida com facilidade para os membros. Este ponto se aplica muito bem à leitura musical. Devemos conhecer os ‘clichês visuais’ e não ‘adivinhar’ a leitura.

De nada adianta a clareza de informação se houver uma falta de preparo do corpo para executar esta informação. É importante pensarmos em todos os aspectos da parte física, como velocidade, resistência, coordenação, ambidestria, articulação, dinâmica, etc. A informação é o ‘software’ e o corpo é o ‘hardware’, a ferramenta que vai executar as ideias. Quanto mais apurada esta ferramenta, melhores serão os resultados.

Uma vez dominados os dois pontos anteriores, é preciso ter um domínio sobre a concentração. Ter um foco no momento presente é indispensável para evitar os erros. Na verdade, o fazer musical está realmente presente neste ponto. É na hora do play que nos entregamos e conversamos com a música. Todos os aspectos citados anteriormente são somente uma preparação.

Agora, toda vez que for estudar verifique se você compreendeu a proposta do exercício, preste atenção aos movimentos e desenvolvimento do seu corpo e foque no momento presente.

Fonte: batera.com.br

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Trivium - 2013 - Vengeance Falls

Consigo facilmente imaginar David Draiman cantando as músicas deste CD.

Este CD do Trivium contou com a produção de David Draiman [Disturbed] e de imediato percebe-se que ele trouxe mais confiança na maneira de cantar por parte de Matt Heafy. Não que antes ele estivesse sem essa confiança, mas ele realmente está melhor – vide os timbres e a variação vocal na faixa Wake [The End Is Nigh] e seu desempenho na ótima To Believe, em que a influência do produtor aparece em 100% das linhas vocais. Aqui e ali ainda escutamos aquele estilo James Hetfield [Metallica] e não há problema nisso. O Trivium é uma banda que não se acomoda!

As músicas mostram que o grupo achou seu estilo, uma maneira de compor em busca de um gênero próprio, afinal esse trabalho se mostra muito mais Thrash Metal com pegada Metalcore do que o inverso, mas sem perder o lado contemporâneo. Na parte de riffs e solos, tudo continua em alto nível. Existe uma variedade enorme de riffs e variações nas músicas, deixando tudo muito ativo e prazeroso de se escutar. Matt Heafy e Corey Beaulieu formam uma ótima dupla nas seis cordas! Aliás, vamos pegar como exemplo a faixa título [Vengeance Falls], com riffs poderosos sendo executados através de um refrão cheio de harmonias vocais e melodia.

Em geral, esse é um trabalho em que composição e letras estão passos à frente em comparação com o CD anterior, In Waves, de 2011. Realmente, mostraram um crescimento consistente.


Asesino - 2006 - Cristo Satánico

Arriba, muchacho, disco muy bueno!!!

Enquanto qualquer um que sabe o básico de Espanhol pra se ter uma conversação sabe que o Asesino não é pra ser levado tão a sério em termos de letra; em termos de música, este álbum é incrível. A primeira coisa a ser reparada é a qualidade de produção simplesmente fora de série, que é uma das melhores que eu já ouvi em um álbum de death/grind. O som é polido e definido, o que permite ao ouvinte sacar melhor o álbum, em vez de tentar "decifrar" o que está sendo tocado, no caso de muitos álbuns de death/grind.

Com Dino Cazares sendo a estrela do show, seus riffs guiam a música, geralmente alternando entre riffs sujos típicos do grindcore a palhetadas "metralhadora". Ele também joga uns riffs thrash [e alguns quase melódicos] no meio, dando um som bem distintos à música feita pela banda. O baixo de Tony Campos soa bastante audível também, ajudando bastante a realçar o peso das músicas. Os vocais de Tony também ficaram incríveis, alternando entre guturais médio-graves e rasgados bem altos. Se você entende de obscenidades em espanhol, vai rir muito.

Mas na minha opinião, o auge do disco é a bateria. Emilio Marquez sentou a mão valendo na gravação! Um bom tempo foi gasto equalizando e timbrando o som da bateria, que ficou animal. O caixa de Emilio ficou com um som dos mais intensos, especialmente nas partes de blast-beats. Ele também põe umas coisas de pedal duplo bem intensas e bastante insanas. Uma das melhores coisas do Asesino é a sincronia entre guitarra e bateria, que faz o som deles ainda mais pesado e técnico [vide os riffs iniciais de Regresando Odio e Perro Primero].

O disco também conta com participações especiais de Jamey Jasta [vocal do Hatebreed - aqui, creditado como "El Odio"] na faixa Regresando Odio, e também de Andreas Kisser [guitarrista do Sepultura - aqui, creditado como "Sepulcuro"].

Enfim, se você gosta de death/grind ou apenas quer ouvir algo bem brutal, "Cristo Satánico" é uma ótima pedida. Provavelmente, é um dos melhores álbuns do gênero. Recomendo.


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Throwdown - Intolerance

Californianos não precisam de muito tempo para dizer o que pensam.
Mas são contundentes quando o fazem.

O Throwdown é uma banda de straight edge hardcore e para quem não sabe do que se trata, vale fazer um breve resumo, já que isso é um tópico importante a ser considerado. Se não é o seu caso, pule o próximo parágrafo.

'Straight edge' é um movimento que surgiu dentro do punk e do hardcore e que tem como base uma correção de comportamento: seus adeptos não usam álcool, drogas, cigarro e são contra a promiscuidade normalmente associada ao rock n' roll – ou seja, são contra toda a 'reckless life' da trilogia 'sexo, drogas e rock n' roll'. Muitas vezes são vegetarianos e alguns, mais radicais, veganos. Muitos também não ingerem cafeína nem remédios.
Formada em 1997, a banda Throwdown sofreu diversas reformulações e hoje é o projeto de duas cabeças: Dave Peters (voz e guitarra) e Mark Mitchell (baixo). Nenhum dos dois são integrantes da formação original, o que reforça a ideia de que o Throwdown é uma espécie de conceito – que o digam os fãs. Quando sai em turnê, a dupla conta com mais quatro músicos no palco.

Vamos ao álbum. Embora ostente o rótulo hardcore, que hoje está associado a uma série de sub estilos que incluem elementos melódicos e vocais limpos - o que o Throwdown faz é um som muito mais 'pesado' e sujo, lembrando Sepultura e Pantera. E "Intolerance" passeia nessa praia da música agressiva, sem meias palavras nem sutilezas.

O álbum, que pode ser ouvido na íntegra no player abaixo, abre com "Fight Or Die", uma faixa que deixa clara a mensagem que o Throwdown sugere ao longo do álbum: é preciso tomar uma posição, se defender com violência quando preciso, superar as fraquezas e encarar as consequências sem arrependimento.

É difícil destacar essa ou aquela faixa, pois "Intolerance" é bastante linear. As únicas pausas na brutalidade do som estão no intervalo entre as faixas, o que torna a audição do disco bastante catártica. E isso faz desse álbum uma boa trilha sonora para treinar qualquer tipo de luta.

Uma coisa que chama a atenção em "Intolerance" é sua brevidade. As 11 faixas não chegam a 30 minutos. Não há introduções, pontes ou um refrão propriamente dito. É tudo na cara. Parece que o Throwdown não precisa de muito tempo para dizer o que pensa. Mas é contundente quando o faz.

Machine Head - 1997 - The More Things Change...

Exatamente como soaria um martelo de 10 toneladas.

Após o lançamento do 1º álbum da banda, o "Burn My Eyes" de 1994, o Machine Head tinha que provar para o mundo que eles não eram uma banda "One Hit Wonder" e que poderiam repetir a dose, e até mesmo soarem melhor. E eu, assim como muitos fãs da banda, acredito que eles conseguiram.
The More Things Change, disco de 1997.
A diferença mais notável entre o "Burn My Eyes" e o "The More Things Change..." é o andamento. Enquanto o álbum de 1994 tem sua parcela de músicas pesadas e também tinha um bom número de músicas rápidas e agressivas, no "The More Things Change..." os caras querem usar de suas "marretas de 10 toneladas" e botar pra fuder de todas as maneiras possíveis. Eles fazem isso com riffs lentos e pesados "pa porra". Com este álbum, o Machine Head pôs o groove metal em um novo patamar. Todas as músicas soam bem pesadas, mas sem deixar o aspecto groovado de lado. Mesmo que a voz de Robb Flynn ainda soe bem crua e os gritados soem bem “primitivos”, ele usa um pouco mais de voz limpa do que antes.
O álbum também é o primeiro da banda com seu atual baterista, Dave McClain. Ele, pelo jeito, não sentiu tanto assim o peso de prosseguir o trabalho que antes era feito por Chris Kontos, visto que Dave é um baterista bem melhor. A bateria neste álbum complementa muito bem o peso dos riffs, com levadas mais trabalhadas nos tons e no pedal duplo e as viradas são bem mais intrincadas.
O álbum começa com “Ten Ton Hammer”, uma música cadenciada com bastante “apito” de harmônicos naturais, por parte das guitarras, com grooves bem dosados e refrão bem carregado no peso. A próxima, “Take My Scars”, com guitarras e bateria “martelando tudo”, provavelmente é uma das músicas de groove metal mais pesadas já gravadas. E aí vem “Struck a Nerve”, a mais rápida do disco. Pessoalmente falando, eu não consigo escutar essa música sem aumentar o volume e querer estar em um moshpit. Estas 3 primeiras já são clássicos do Machine Head e são frequentemente tocadas em seus shows.
A próxima é “Down to None”, que começa com um riff de guitarra bem ‘estranho’ que se transforma em um riff arrasa quarteirão, que daí então, puxa pro verso que é impulsionado pela bateria e pelos vocais, daí muda de lento pra rápido várias vezes. O que é bem legal, essa variação. Essa música é seguida por “The Frontlines” e “Spine”, ambas bem groovadas e pesadas também.
Da Esquerda para a direita: Adam Duce [baixo], Robb Flynn [vocal e guitarra], Dave McClain [bateria] e Logan Mader [guitarra].
E eis que o Machine Head volta com uma faixa rápida, “Bay of Pigs”, que tem um contexto bem similar a “Struck a Nerve”. “Bay of Pigs” tem versos bem intensos e daí, dá uma desacelerada pro refrão. A próxima é “Violate”, que é provavelmente a mais lenta e mais emocional do disco, com Flynn usando vocais limpos. “Blistering” traz de volta a energia e a empolgação, com refrãos pesados e tempos quebrados. O álbum termina com “Blood of the Zodiac”, mais uma da categoria “pesada e lenta”.

Porém, na minha opinião, este ainda não é o melhor álbum do Machine Head, é um dos mais diferentes que eles já fizeram. Não que isso seja algo ruim, eles puseram o groove metal em um nível maior, só queria acrescentar que a banda evoluiu bastante do começo até agora.
Saca a lapada aí, a música "Ten Ton Hammer", que você vai entender o que eu tô dizendo.


P.S.: Queria terminar dando um alô pro pessoal da página Machine Head Brasil, no Facebook.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Machine Head - 1994 - Burn My Eyes

LET FREEDOM RING WITH A SHOTGUN BLAAAAAST!!!


Um excelente começo de carreira de uma das bandas mais fodas do Thrash Metal mundial, MACHINE HEAD!!!
[Okay, os fãs mais xiitas do gênero vão provavelmente dizer que o Machine Head não toca tal gênero, mas foda-se, a banda é foda pra caralho e ponto final].

O álbum de estreia dos caras, “Burn My Eyes”, de todos os álbuns da banda, sempre me chamou mais atenção. Pode não ser o melhor disco deles, mas todo álbum dos caras soa diferente um do outro, e é como o próprio Robb Flynn [vocalista, guitarrista e a “mastermind” da banda] disse uma vez: “Nosso objetivo é nunca fazer o mesmo disco duas vezes”, eu diria que a melhor forma de descrever o disco é: Uma torrente de grooves e riffs bastante agressivos.

As músicas são todas memoráveis, e valem a pena serem ouvidas. Você não vai se ver entediado ao ouvi-lo. Quase todas as faixas são diferenciadas estruturalmente, acompanham mudanças de tempo e têm ótimas músicas.

Machine Head - 1994 - Burn My Eyes

Os riffs apresentados nesse disco são monstruosos, assim que o riff de “Davidian” [faixa de abertura] começa com aqueles harmônicos bem fodas de se ouvir, e o que falar do timbre das guitarras de Robb Flynn e Logan Mader, hein? Assim como tudo nesse disco, as guitarras são cheias de um groove implacável. Considerando o fato de Robb ter vindo do Vio-lence, que são conhecidos por fazerem aquele Thrash rápido e insano pra caralho, à primeira vista é meio estranho, pois não lembra o Vio-lence em praticamente nada, pois não é algo calcado em velocidade, exceto algumas partes. Mesmo que “Blood for Blood” tenha uma pegada bem thrash e seja uma das melhores do disco, existem só umas 3 faixas que têm essa pegada Thrash “oitentista”. O trabalho de “guitarras solo” aqui não se apresenta tanto, visto que a proposta do álbum é mais focada em riffs intensos do que solos, o que não é nenhum problema. E também encontramos umas coisas de guitarra limpa bem legais e lindas aqui. A introdução de “A Nation on Fire” não me deixa mentir, é um exemplo mais do que incrível. Quanto ao trabalho das guitarras, não há nada a se reclamar, muito bem executadas.

Se você é como eu e conheceu o Machine Head com álbuns que vieram depois, vai perceber que os vocais estão muito “na cara”. O que é muito massa, Robb soa mais cru e com um aspecto “foda-se”. É notável que essa foi sua primeira tentativa de tentar fazer uma linha vocal além dos gritos do thrash. As partes limpas de “A Nation on Fire” e “I'm Your God Now” soam muito boas e é isso aí. O timbre do baixo aqui é o melhor já apresentado em todos os álbuns do Machine Head, soando bastante robusto, basta ouvir a introdução de “Old” pra ficar babando, rsrsrsrsrsrs. O trabalho do baixo é simplesmente o melhor que Adam Duce já fez, neste álbum e no “The More Things Change...”, são os álbuns que ele pôs mais esforço, na minha opinião.
O trabalho de bateria é tão insano quanto o resto, não posso dizer que é um dos melhores do Machine Head porque não há como negar que as coisas ficaram mais técnicas e trabalhadas com Dave McClain, mesmo assim, Chris Kontos botou pra fuder, muito habilidoso.
Pessoalmente falando, o que faz este álbum ser o que é, são os riffs, o ritmo das músicas e as letras. Os temas das letras abrangem desde raiva, depressão, anti-governo e anti-religião. As letras são bem da hora, casaram certinho com as guitarras e soam como um verdadeiro “foda-se o mundo”.

Eis uma tradução de um trecho de “The Rage to Overcome”:

“Um ódio queima dentro de mim, pesadas emoções.
Mas eu tenho a vontade de focalizar isto, sobreviver, inventar, comandar.
Da dor vem uma coragem, a força da injustiça.
A raiva pra superar tudo. Uma mente aberta com um punho fechado.”


Acho que as letras deste álbum ajudarão qualquer um que esteja irritado, e algumas das faixas, incluindo esta [The Rage to Overcome] podem ser de grande ajuda em tempos de depressão. Não há muito mais que dizer sobre este disco, é claro que é o mais importante da história da banda, afinal é o primeiro. Pode não ser o que os deu mais fama como o “The Blackening”, mas não há como negar que é um disco muito foda. Recomendo àqueles que curtem Metal, independente de gêneros, rótulos ou qualquer coisa deste tipo.

E nada melhor do que terminar esse post com a faixa "The Rage to Overcome", não é mesmo?


Download do disco AQUI.

Aviso de última hora

Bom, nossa conta do Mediafire foi suspensa, por algum motivo.
Estamos enfrentando problemas técnicos e teremos que upar os arquivos de novo, em outra conta...
Mas logo logo, estaremos de volta.

domingo, 18 de maio de 2014

Decapitated - Organic Hallucinosis

Enquanto o Decapitated é teoricamente definido como uma banda de death metal técnico, eles não ficam presos a esse rótulo no caso de Organic Hallucinosis. Estas faixas se mostram acima de tudo bem groovadas, passagens de riffs bem atonais juntos ao rolo compressor costumeiro da bateria de Vitek. Não quero dizer que Organic Hallucinosis é um álbum ruim, pelo contrário, mas é algo bem fora do costume destes poloneses.

Se eu disser que não curti esse álbum, eu estaria mentindo. "A poem about an old prison man" abre o disco como um verdadeiro petardo que rapidamente segue com os riffs tradicionais de Vogg após um breve falso começo. Eu sou meio indiferente quanto aos vocais de Covan ao todo, mas neste álbum soa bem cativante. A inclinação mais dissonante e atmosférica da segunda metade da música cai efetivamente em "Day 69". Esta é facilmente a melhor faixa aqui, com uma crescente de tensão durante a introdução e os versos, matadores, por sinal. As letras nessa música mencionam um pouco sobre viciados em drogas e/ou pessoas sem teto. Não sei qual dessas, mas a linha "Sewers running through my veins" [esgoto correndo em minhas veias] é bem da hora. "Flash B(l)ack" também é memorável pela excelência dos riffs, em particular. Vogg alcançou um timbre bem potente aqui: sombrio durante as passagens mais atmosféricas e angustiante no resto dos riffs. 

Variações podem ser um problema, mesmo quando a duração do álbum é curta. É sempre um problema dos álbuns do Decapitated e Organic Hallucinosis não fugiu à regra. Algumas coisas do álbum são bem genéricas e faltam objetividade. A proposta inicial continua intacta, "Post (?) Organic" é pesada pra cacete, mas comparada com as 2 primeiras faixas, não é muita coisa. Isso nos leva aos vocais. Covan está mais comedido em alguns momentos, poderia se soltar, se mostrar mais. Ele soa como se estivesse se segurando por algum motivo. Ao menos ele tem uma boa dicção e os vocais são bem compreensíveis, o que já é um ponto a mais, pois dá pra saber o que ele está cantando.

A bateria de Vitek está mais inventiva e criativa do que rápida. Ele aparenta estar um tanto contido, nunca deixando se soltar demais no quesito velocidade. A natureza groovada de muitas das músicas o força a se ater a um ponto de vista mais trabalhado de bumbos e passagens mais curtas de blast-beats. Ele de fato, nunca tem um espaço de "botar o pedal pra correr". Mas pouco importa, Organic Hallucinosis soa incrível, este álbum deveria ser considerado como um padrão para o que o death metal moderno deveria soar. Todas as partes se misturam para, no fim, fazer algo bem coeso.

A maioria dos fãs parece desprezar Organic Hallucinosis devido ao seu approach de vocal inusitado. O que é uma pena, pois aqui tem um material bem decente; só não espere que seja técnico.

Sente a pressão!


sábado, 17 de maio de 2014

Bloodbath - The Wacken Carnage

Pros desavisados, o Bloodbath é uma banda sueca de death metal no sentido mais verdadeiro da palavra. Seus membros incluem músicos da Katatonia, Opeth e Witchery, sem contar com o envolvimento de outrora dos baluartes da cena européia, Dan Swanö e Peter Tägtgren, as expectativas têm sido sempre injustas de tão altas para o Bloodbath. No final do dia, é apenas um bando de marmanjo se juntando pra tocar death metal old school e brutal e foi basicamente o que eles fizeram ao longo do tempo em que eles lançaram 2 álbuns e um EP.



Mikael Âkerfeldt soa como um ótimo frontman e sua interação com o público é bem captada neste álbum enquanto seus vocais são impressionantes. A banda soa pesada e brutal pra caralho enquanto executa um death metal tradicional e sem frescura, como deve ser o som old school. O set list é bem foda e quando "Soul Evisceration", "Ways to the Grave" e "Ominous Bloodvomit" chegam até seus ouvidos como um soco após o outro, no fim das contas não há razão pra reclamar.

É um grande e divertido álbum ao vivo de um show considerado memorável.